A ministra da Energia e do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, afiançou esta sexta-feira, a partir de "indicações do CEO da Galp de há dois ou três dias, que o abastecimento de combustíveis para a aviação está assegurado "até ao pico do verão".
"A Galp, na reunião que tivemos, diz-nos que aguenta perfeitamente até ao pico do verão", afirmou a governate em Porto de Mós, apontando para o "princípio, meio de agosto".Maria da Graça Carvalho esteve na apresentação do Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio Extensivo.
"Eles têm uma grande produção, a matéria-prima que recebem vem essencialmente do Atlântico e, do ponto de vista da Galp, temos ainda para vários meses", acentuou a titular da pasta da Energia e do Ambiente.
Ainda segundo Maria da Graça Carvalho, as reuniões entre o Executivo, a Galp e a Repsol permitiram concluir que "a situação da Península Ibérica é bem mais confortável do que no resto da Europa e que muitas zonas do mundo".Na mesma linha, a ministrsa mostrou-se tranquila quanto ao sector da eletricidade, frisando que há "muito renovável - mais de 80 por cento".
"Estamos numa posição mais confortável, mas não estamos fora dos impactos. Os aviões que chegam a Portugal não são só os espanhóis e os portugueses. Se existir uma escassez a nível mundial, claro que nos afeta, pela economia e porque as outras companhias têm restrições e não chegarão aqui", admitiu, ainda assim, Maria da Graça Carvalho.
"O mundo é global, para o bem e para o mal", prosseguiu.
"Se a Lufthansa for afetada e os aviões franceses, do Reino Unido e do resto do mundo forem afetados, claro que vamos sofrer. Estamos todos interligados".
"A aposta que fizemos nas energias renováveis, na produção cá de gases renováveis, e agora no SAF, que ainda não produzimos em grande quantidade, mas que é uma aposta nossa, está a dar frutos e mostra que é o caminho certo, também de segurança do ponto de vista do abastecimento, quando há uma crise", enfatizou, referindo-se ao combustível sustentável para a aviação.Bruxelas a preparar-se para "possíveis falhas"
A Comissão Europeia veio igualmente assegurar, esta sexta-feira, que não há falta de combustíveis na União, no contexto dos impactos da ofensiva israelo-americana contra o Irão. Ainda assim, o Executivo comunitário sublinha estar a acautelar "possíveis falhas" no domínio da aviação.
"O grupo de coordenação do petróleo reuniu-se ontem e concluiu que, neste momento, não existe escassez de combustível na União Europeia. No entanto, estamos a preparar-nos para possíveis falhas de abastecimento de combustível para aviação, que continua a ser a principal preocupação", apontou a porta-voz de Comissão para a Energia, Anna-Kaisa Itkonen.
"A razão dessa preocupação é que as nossas refinarias cobrem cerca de 70 por cento do consumo da UE, sendo o restante dependente de importações e, se a situação no Estreito de Ormuz persistir, a UE estará preparada para lançar uma possível ação coordenada no que diz respeito ao combustível de aviação", vincou.De acordo com Itkonen, Bruxelas está "plenamente ciente de que o mercado de combustível de aviação está sob pressão e a ser monitorizado de perto. A UE mantém reservas de emergência em conformidade com a legislação europeia e estas podem ser libertadas se o mercado assim o exigir".
"Até ao momento, porém, o mercado tem conseguido gerir esta pressão sem que se verifique qualquer escassez. É este o ponto em que nos encontramos neste momento: coordenação em tempo real e consciência situacional completa e constante da evolução dos acontecimentos ajuda-nos a determinar os próximos passos", acrescentou.
"Não existe qualquer indicação de escassez sistémica de combustível que possa levar a cancelamentos generalizados de voos e isto é algo que acompanhamos de perto".
A legislação europeia dita que os países-membros possuam reservas estratégicas de petróleo e gás para 90 dias. No caso do petróleo, cabe a cada um dos Estados determinar as fatias das reservas correspondes a petróleo bruto e a produtos refinados, nomeadamente o combustível para a aviação.
O diretor da Agência Internacional de Energia alertou na quinta-feira que a Europa terá "talvez mais seis semanas de combustível para aviões". Por sua vez, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal fez notar que, por ora, a operação não está em causa, mas não excluiu futuros cancelamentos de voos e uma subida de preços.
c/ Lusa