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Combustíveis para aviação. Governo com garantia de abastecimento "até ao pico do verão"

Combustíveis para aviação. Governo com garantia de abastecimento "até ao pico do verão"

"A Galp, na reunião que tivemos, diz-nos que aguenta perfeitamente até ao pico do verão", adiantou a ministra da Energia e do Ambiente.

Carlos Santos Neves - RTP /
Nuno Patrício - RTP

A ministra da Energia e do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, afiançou esta sexta-feira, a partir de "indicações do CEO da Galp de há dois ou três dias, que o abastecimento de combustíveis para a aviação está assegurado "até ao pico do verão". 

"A Galp, na reunião que tivemos, diz-nos que aguenta perfeitamente até ao pico do verão", afirmou a governate em Porto de Mós, apontando para o "princípio, meio de agosto".Maria da Graça Carvalho esteve na apresentação do Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio Extensivo.

"Eles têm uma grande produção, a matéria-prima que recebem vem essencialmente do Atlântico e, do ponto de vista da Galp, temos ainda para vários meses", acentuou a titular da pasta da Energia e do Ambiente.

Ainda segundo Maria da Graça Carvalho, as reuniões entre o Executivo, a Galp e a Repsol permitiram concluir que "a situação da Península Ibérica é bem mais confortável do que no resto da Europa e que muitas zonas do mundo".Na mesma linha, a ministrsa mostrou-se tranquila quanto ao sector da eletricidade, frisando que há "muito renovável - mais de 80 por cento".

"Estamos numa posição mais confortável, mas não estamos fora dos impactos. Os aviões que chegam a Portugal não são só os espanhóis e os portugueses. Se existir uma escassez a nível mundial, claro que nos afeta, pela economia e porque as outras companhias têm restrições e não chegarão aqui", admitiu, ainda assim, Maria da Graça Carvalho.
"O mundo é global, para o bem e para o mal", prosseguiu.

"Se a Lufthansa for afetada e os aviões franceses, do Reino Unido e do resto do mundo forem afetados, claro que vamos sofrer. Estamos todos interligados".

"A aposta que fizemos nas energias renováveis, na produção cá de gases renováveis, e agora no SAF, que ainda não produzimos em grande quantidade, mas que é uma aposta nossa, está a dar frutos e mostra que é o caminho certo, também de segurança do ponto de vista do abastecimento, quando há uma crise", enfatizou, referindo-se ao  combustível sustentável para a aviação.Bruxelas a preparar-se para "possíveis falhas"

A Comissão Europeia veio igualmente assegurar, esta sexta-feira, que não há falta de combustíveis na União, no contexto dos impactos da ofensiva israelo-americana contra o Irão. Ainda assim, o Executivo comunitário sublinha estar a acautelar "possíveis falhas" no domínio da aviação.

"O grupo de coordenação do petróleo reuniu-se ontem e concluiu que, neste momento, não existe escassez de combustível na União Europeia. No entanto, estamos a preparar-nos para possíveis falhas de abastecimento de combustível para aviação, que continua a ser a principal preocupação", apontou a porta-voz de Comissão para a Energia, Anna-Kaisa Itkonen.
"A razão dessa preocupação é que as nossas refinarias cobrem cerca de 70 por cento do consumo da UE, sendo o restante dependente de importações e, se a situação no Estreito de Ormuz persistir, a UE estará preparada para lançar uma possível ação coordenada no que diz respeito ao combustível de aviação", vincou.De acordo com Itkonen, Bruxelas está "plenamente ciente de que o mercado de combustível de aviação está sob pressão e a ser monitorizado de perto. A UE mantém reservas de emergência em conformidade com a legislação europeia e estas podem ser libertadas se o mercado assim o exigir".

"Até ao momento, porém, o mercado tem conseguido gerir esta pressão sem que se verifique qualquer escassez. É este o ponto em que nos encontramos neste momento: coordenação em tempo real e consciência situacional completa e constante da evolução dos acontecimentos ajuda-nos a determinar os próximos passos", acrescentou.

"Não existe qualquer indicação de escassez sistémica de combustível que possa levar a cancelamentos generalizados de voos e isto é algo que acompanhamos de perto".

A legislação europeia dita que os países-membros possuam reservas estratégicas de petróleo e gás para 90 dias. No caso do petróleo, cabe a cada um dos Estados determinar as fatias das reservas correspondes a petróleo bruto e a produtos refinados, nomeadamente o combustível para a aviação.

O diretor da Agência Internacional de Energia alertou na quinta-feira que a Europa terá "talvez mais seis semanas de combustível para aviões". Por sua vez, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal fez notar que, por ora, a operação não está em causa, mas não excluiu futuros cancelamentos de voos e uma subida de preços.

c/ Lusa

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